O Ovo da serpente

Apesar  de nossas negativas, a História brasileira é cheia de episódios de guerra civil, que na palavra dos historiadores viraram revoltas, revoluções, conflito armado etc. O nome guerra civil é evitado de todo as as formas em nossos livros de História, até mesmo episódios sangrentos e duradouros como a guerra dos farrapos, que durou dez anos, centenas de pessoas foram mortas é chamado de revolta. O mesmo acontece com a guerra dos paulistas, de 1932, que também, apesar de ser uma luta armada entre irmãos, com estratégias e soldados uniformizados, recebe o nome de revolução, embora após o episódio a estrutura de poder continuasse a mesma coisa. Gostamos de ser visto  como um povo pacífico, avesso à violência, tudo no Brasil parece ter acontecido por obra do Espírito Santo.

Seria ingênuo imaginar que um país com as dimensões do Brasil, repleto de riquezas minerais, com muita terra fértil, água em abundância e com as oligarquias consolidas, com muitos interesses conflitantes pode ser construído sem violência. Na consolidação da República, o marechal Floriano Peixoto mandou decapitar centenas de brasileiros que se opunham ao novo regime.

Na década de 30 o país passava por muitas transformações e isto é claro, não contentava a todos.
Em 1935, os comunistas liderados por Luis Carlos Prestes tentaram um golpe fracassado, cujo nome passou para a História como a intentona comunista. A partir daquele episódio os comunistas foram execrados, e até os dias de hoje são estigmatizados como algo satânico.

O mesmo não aconteceu com os fascistas que também tentaram derrubar o governo e tomar o poder em 1938 de armas em punho, foram anistiados e  retornaram tranquilamente ao convívio normal na sociedade.

Atualmente o risco da implantação de um regime comunista no Brasil está totalmente descartada, pois  além das forças de esquerda estarem totalmente fragmentadas, os comunistas sabem que a revolução é um longo processo, logo preferem o caminho da democracia.

Já os fascistas não. Estes como sempre não aceitam os resultados das urnas, são explicitamente contra os princípios democráticos. Fazem discursos racistas e homofóbicos, pregam a violência e a repressão para resolução de problemas sociais, ignoram a formação do povo brasileiro, desprezando nossa  cultura e tradições. A maioria pertence a classe média, tem formação superior e vivem falando mal do Brasil. Usam termos desconhecidos pela ciência política, tais  como: comunistóides e bolivarianismo quando se referem a qualquer evento democrático, demonstrando uma ignorância  gigantesca sobre o Brasil e os problemas brasileiros.

Fazem discursos machistas atacando covardemente as mulheres, alguns explicitamente pregam a tortura e o golpe militar.

Costumam  ser contraditórios , dizem que são liberais, mas querem emprego público. Dizem que são conservadores nos costumes , mas muitos praticam o adultério e fazem programas com  prostitutas e travestis a fim de satisfazer  seus desejos inconfessáveis . Falam em decência e agem com despudor. Falam em ética e agem de forma antiética ou praticam a ética de resultados. Falam em moral e a ela dão as costas. Algo comum a todos os fascistas: são covardes, agressivos, violentos e autoritários. A maioria tem vocabulário inopioso e usa palavras de baixo calão  para desqualificar os que não pensam como eles.

Nesse momento de crise política e turbulência econômica os fascistas começam a colocar as garras p’ra fora, todo cuidado é pouco. Apesar de tudo a democracia ainda é o melhor caminho. Temos que impedir que a serpente choque o seu ovo.

Autor: Ivam Galvão
E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com


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