O pecado de nascer negro no Brasil

Por mais doloroso que seja temos que admitir que o Brasil é um país racista. Duas coisas foram fulcrais para que o racismo desse certo no Brasil; as dificuldades  do negro acessar a terra e a falta de acesso à escola. No Brasil o racismo é estruturante, pois após 127 anos do fim da escravatura, o negro, na sociedade de classe continua sendo considerado cidadão de segunda categoria, sendo a grande maioria na sapata da pirâmide social e confinado nos escaninhos do subemprego, da falta de moradia, da falta de acesso à saúde, ao ensino de boa qualidade e a seguridade social.

Há alguns anos atrás, quando ainda se proclamava o país como uma democracia racial, até os próprios negros acreditavam que o racismo brasileiro era sutil. O que nunca foi uma verdade absoluta, pois os racistas  sempre agiram de forma brutal contra os negros. O Estado, através de suas polícias sempre agiu de forma a reprimir as manifestações culturais e religiosas do povo negro. O candomblé, a capoeira e as Escolas de Samba sempre foram as principais vítimas da repressão policial.

As manifestações racistas acontecem todos os dias  em várias cidades do país, nestes tempos de redes sociais então, o problema  ficou muito mais visível. Neste ano, em curtíssimo espaço de tempo quatro mulheres negras, profissionais da televisão foram vítimas de ataques racistas, neste caso ficou claro a inveja, pois todas elas são mulheres negras, lindas, profissionais competentes, de altíssimo nível. Em suma, são mulheres de sucesso e trabalham numa das maiores emissoras de TV do mundo - a rede Globo - fato insuportável para os racistas de plantão.

A elite branca brasileira, que é colonizada e pensa ser européia, é tomada pela vergonha quando se trata de reconhecer em si própria  os valores do povo a qual pertence. Procura sempre negar esses valores, omitindo fatos Históricos, manipulando a historiografia, desqualificando personagens negros de nossa História, ou os colocando num plano secundário.

Grandes fatos relevantes da nossa história que tiveram negros como protagonistas, são propositalmente  ignorados pela acadêmia.

Acontecimentos como: a inconfidência baiana, a revolta dos malês, a revolta da chibata, o evento extraordinário como o dos cinco pescadores que desafiaram o mar, navegando numa jangada de Fortaleza, no Ceará, até o Rio de Janeiro, tudo isto seria motivo de orgulho a qualquer povo, mas no Brasil a elite sente vergonha desses fatos. Ao contrario de Luis de Camões em seu  poema épico - os Lusíadas -, onde narra  a grande aventura do navegador Vasco da Gama, não encontramos na literatura brasileira nenhum registro que exalte a proeza de nossos heróis  negros, ou algum registro que dê um destino nobre ao homem brasileiro. Estes são sempre tratados como indolentes, fracos e sem caráter.

Homens de letras como o advogado, poeta e jornalista Luiz Gonzaga Pinto da Gama, um dos maiores intelectuais brasileiros, se alfabetizou aos 17 anos e aos 29 escreveu o seu primeiro livro, João da Cruz e Souza, considerado um dos maiores poetas do simbolismo no mundo, ambos  tiveram  reconhecimento tardio.Tanto um como o outro se ombreiam ao lado de grandes figuras da história da humanidade. Mas para a elite brasileira estes cometeram um grande pecado... nasceram negros!

Autor Ivam Galvão
E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com 






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