Na madrugada do dia 7 de 21 de junho de 1830, num sobrado da rua do Bângala, na Freguesia de Sant’Ana, em Salvador Bahia, a quituteira africana, livre da Costa da Mina, Luiza Mahin, começa a sentir as dores do parto. As 7 horas da manhã daquele dia ela dava a luz a um menino forte e saudável que no futuro seria o grande ícone do abolicionismo brasileiro. O advogado, poeta e jornalista, Luiz Gonzaga Pinto da Gama, ou simplesmente Luiz Gama.
A cidade de Salvador, desde a Conjuração Baiana no século XVIII, sempre foi foco de revoltas de escravos. Nos anos oitocentos a cidade vivia períodos de agitação entre protestos e pequenas rebeliões.
A mãe de Luiz Gama, havia sido presa várias vezes sob a suspeita de envolvimento em revoltas de escravos. Por ser uma revolucionária perseguida pelas autoridades foi forçada pelas circunstâncias a deixar o filho com o pai, que inescrupulosamente vendeu o próprio filho como escravo afim de saldar uma divida de jogo.
Saindo de Salvador aos 10 anos de idade na condição de escravo, embora tenha nascido livre, Luiz Gama foi trazido para o Rio de Janeiro, de lá veio para Santos indo a pé até Campinas onde foi rejeitado pelos compradores de escravos por ser oriundo da Bahia, lugar onde os negros tinham a fama de rebeldes. sendo mandado de volta para São Paulo, onde viveu até o fim de sua vida.
A vida de Luiz Gama foi uma verdadeira saga. A partir dos 17 anos, graças a “ transgressão” de um estudante residente na casa de seu senhor que o ensina a ler e a escrever, Luiz Gama, empreende a sua prodigiosa conquista do saber e da palavra que lhe devolvem a liberdade e constrói improvável destino de um ex-escravo, agora um homem “letrado”, cuja voz se fez ouvir na sua cidade, na sua província e na sua nação. Alfabetizou-se aos 17 e aos 29 anos anos escreveu seu primeiro livro. Autodidata, é um dos raros intelectuais negros do século XIX, e o único também a ter vivido a experiência da escravidão.
Apesar das dificuldades impostas pelo sistema escravista Luiz Gama usou a imprensa, que na época era o principal instrumento de contrapoder para desmascarar a falsidade de nossas pretensas elites.
Gama escolheu como principais alvos de seus ataques desmascaradores os dois grupos que mais se distinguiram no triste papel de legitimar a escravidão negra: os cléricos e os magistrados.
Abolicionista e de convicções republicanas Luiz Gama foi o maior advogado de escravos que este país já conheceu. Praticamente sozinho, logrou livrar do cativeiro mais de quinhentos escravos, fato sem precedentes na história mundial da advocacia.
Poeta de verve sofisticada, foi a primeira voz negra na poesia brasileira, foi também o primeiro a dar destaque a mulher negra colocando-a como musa em muitos de seus poemas. Sempre fez questão de deixar isto bem claro em todos os seus escritos, quer em textos jornalísticos quer em seus poemas. É difícil ler Luiz Gama e sair incólume `sua visão sobre a sociedade e traços da mentalidade brasileira que ainda nos governa.
Apesar de seu legado a obra de Luiz Gama sofre bastante preconceito por parte da acadêmia, não tendo alcançado seu devido lugar no panteon dos grandes autores da literatura brasileira.
No dia 24 de agosto de 1882 morreu na cidade de São Paulo, o poeta, jornalista e advogado Luiz Gonzaga Pinto da Gama, seis anos antes da abolição e sete anos antes da proclamação da República. A morte o impediu de ver “ um Brasil americano, sem reis e sem escravos”, sonho que acalentou durante toda sua vida e, que serviu de combustível para sua luta contra a opressão.
Luiz Gama foi sepultado no cemitério da Consolação, o enterro foi acompanhado por quatro mil pessoas, ou seja 10% da população da cidade, que à época somava um total de 40 mil habitantes. O caixão foi passando de mão em mão por não contar com o transporte do serviço funerário.
Na semana da Consciência Negra de 2015, a Universidade presbiteriana Markenzie de São Paulo prestou homenagens ao advogado Luiz Gama, no mesmo dia a Ordem dos Advogados do Brasil SP, concedeu o registro de advogado ao grande intelectual brasileiro.
Para quem quer conhecer um pouco de sua obra a professora Ligia Fonseca Ferreira publicou o livro: "Com a Palavra Luiz Gama", no livro ela reúne uma coletânea juntando poesia.
Autor Ivam Galvão
E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com
A cidade de Salvador, desde a Conjuração Baiana no século XVIII, sempre foi foco de revoltas de escravos. Nos anos oitocentos a cidade vivia períodos de agitação entre protestos e pequenas rebeliões.
A mãe de Luiz Gama, havia sido presa várias vezes sob a suspeita de envolvimento em revoltas de escravos. Por ser uma revolucionária perseguida pelas autoridades foi forçada pelas circunstâncias a deixar o filho com o pai, que inescrupulosamente vendeu o próprio filho como escravo afim de saldar uma divida de jogo.
Saindo de Salvador aos 10 anos de idade na condição de escravo, embora tenha nascido livre, Luiz Gama foi trazido para o Rio de Janeiro, de lá veio para Santos indo a pé até Campinas onde foi rejeitado pelos compradores de escravos por ser oriundo da Bahia, lugar onde os negros tinham a fama de rebeldes. sendo mandado de volta para São Paulo, onde viveu até o fim de sua vida.
A vida de Luiz Gama foi uma verdadeira saga. A partir dos 17 anos, graças a “ transgressão” de um estudante residente na casa de seu senhor que o ensina a ler e a escrever, Luiz Gama, empreende a sua prodigiosa conquista do saber e da palavra que lhe devolvem a liberdade e constrói improvável destino de um ex-escravo, agora um homem “letrado”, cuja voz se fez ouvir na sua cidade, na sua província e na sua nação. Alfabetizou-se aos 17 e aos 29 anos anos escreveu seu primeiro livro. Autodidata, é um dos raros intelectuais negros do século XIX, e o único também a ter vivido a experiência da escravidão.
Apesar das dificuldades impostas pelo sistema escravista Luiz Gama usou a imprensa, que na época era o principal instrumento de contrapoder para desmascarar a falsidade de nossas pretensas elites.
Gama escolheu como principais alvos de seus ataques desmascaradores os dois grupos que mais se distinguiram no triste papel de legitimar a escravidão negra: os cléricos e os magistrados.
Abolicionista e de convicções republicanas Luiz Gama foi o maior advogado de escravos que este país já conheceu. Praticamente sozinho, logrou livrar do cativeiro mais de quinhentos escravos, fato sem precedentes na história mundial da advocacia.
Poeta de verve sofisticada, foi a primeira voz negra na poesia brasileira, foi também o primeiro a dar destaque a mulher negra colocando-a como musa em muitos de seus poemas. Sempre fez questão de deixar isto bem claro em todos os seus escritos, quer em textos jornalísticos quer em seus poemas. É difícil ler Luiz Gama e sair incólume `sua visão sobre a sociedade e traços da mentalidade brasileira que ainda nos governa.
Apesar de seu legado a obra de Luiz Gama sofre bastante preconceito por parte da acadêmia, não tendo alcançado seu devido lugar no panteon dos grandes autores da literatura brasileira.
No dia 24 de agosto de 1882 morreu na cidade de São Paulo, o poeta, jornalista e advogado Luiz Gonzaga Pinto da Gama, seis anos antes da abolição e sete anos antes da proclamação da República. A morte o impediu de ver “ um Brasil americano, sem reis e sem escravos”, sonho que acalentou durante toda sua vida e, que serviu de combustível para sua luta contra a opressão.
Luiz Gama foi sepultado no cemitério da Consolação, o enterro foi acompanhado por quatro mil pessoas, ou seja 10% da população da cidade, que à época somava um total de 40 mil habitantes. O caixão foi passando de mão em mão por não contar com o transporte do serviço funerário.
Na semana da Consciência Negra de 2015, a Universidade presbiteriana Markenzie de São Paulo prestou homenagens ao advogado Luiz Gama, no mesmo dia a Ordem dos Advogados do Brasil SP, concedeu o registro de advogado ao grande intelectual brasileiro.
Para quem quer conhecer um pouco de sua obra a professora Ligia Fonseca Ferreira publicou o livro: "Com a Palavra Luiz Gama", no livro ela reúne uma coletânea juntando poesia.
Autor Ivam Galvão
E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com

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