Liberal, más no mucho

No Brasil, durante o segundo reinado, o imperador Pedro II  praticava o revesamento no poder entre os conservadores e liberais. O Mais interessante é que entre os conservadores e liberais nunca existiu grandes diferenças. Ambos defendiam o liberalismo clássico do século XIX e, quando estavam no poder tinham a mesma prática, ambos usavam a máquina administrativa para fins eleitorais,

Atualmente no Brasil  existe  registrados na Tribunal Superior Eleitoral, cerca de 32 partidos políticos, destes, 28 estão representados na Câmara dos Deputados. Mas qual é o perfil ideológico desses partidos?  O que defendem?  Quais são os projetos que esses partidos têm para o país, a curto, médio e longo prazo? São perguntas  que nem a própria ciência política não encontra respostas por não haver no espectro ideológico 32 ideologias diferentes.

A bem da verdade a maioria dos partidos existentes no Brasil são criados por pequenos grupos de espertalhões para tirar vantagens em momentos eleitorais se aproveitando de uma legislação  frouxa e cheia de fissuras. Entre o emaranhado de partidos há 8 que se dizem socialistas, 3 se dizem social-democratas , 2 são ecológicos, 1 é humanista, e os demais se dizem liberais.

Teoricamente os partidos de tendencia liberal defendem a não intervenção do estado na economia e, aqueles que se dizem socialistas ao contrário, querem maior presença do estado nas questões econômicas.

Mas, o que nos chama mais atenção é o discurso dos partidos liberais. Todos dizem que deve-se diminuir o tamanho do estado, que se este gasta muito e gasta mal. Pregam a diminuição  da carga tributária etc. Tudo isso no discurso é claro, porque quando chega na prática não conseguem viver longe das benesses do estado. São os tiram empréstimos em bancos oficiais e dão calotes, são os que ocupam altos cargos de confiança nos três poderes da República, são os que querem tocar seus negócios privados com dinheiro público, são os que se apropriam da renda  estudando em universidades públicas.

O jornal Folha de São Paulo, do qual sou leitor há 40 anos, publicou uma matéria cujo o conteúdo ilustra bem o assunto do qual nos referimos. Um empresário de São Paulo, filiado ao PSDB, partido pelo qual  pretende concorrer as eleições municipais como candidato a prefeito da capital paulista, recebeu a quantia de 1,5 milhão de reais como pagamento de veiculação de anúncios publicitários publicados em revistas cuja circulação não são auditadas. Ou seja as revistas  cuja a tiragem e a circulação são duvidosas, embora o preço cobrado pela editora de João Doria Jr. seja bem mais do que os de outras revistas de circulação regular e auditadas.

João Dória Jr. é o típico representa das elites paulistana, é uma figura engraçada, a começar pelo penteado. Sem duvida ele representa aquele setor da sociedade que grita contra o bolsa família, grita contra o direito dos trabalhadores, são estas pessoas que dizem que o governo gasta muito e gasta mal. São pessoas como Dória Jr. que falam que o estado não deve interferir na economia, que o mercado é quem deve dar as cartas no jogo econômico. No Brasil o liberalismo não vai além do discurso. Políticos, quando em campanha, falam sempre as mesmas coisas; é necessário a diminuição da carga tributária, o governo gasta muito, é preciso diminuir o tamanho do estado, é preciso fazer uma reforma tributária. Este é o discurso. Mas, na pratica a teoria é outra!

Dede que o Brasil é Brasil, as nossas elites sempre procuraram se valer do Estado para resolver seus problemas privados. Quer obtendo vantagens e isenções de todo tipo, quer  seja através de altos cargos nos tempos do império e atualmente na República.

O Estado brasileiro realmente está inchado. Virou a grande mãe e também madrasta, pois cuida até de filhos que não são seus. Existe na atualidade um super corporativismo no Brasil, os grandes empresários recorrem ao BNDS, a classe média , que é meritocrática vive de empregos públicos e com excesão daqueles que estão na linha de produção boa parte vive de pensões e bolsas assistenciais.

Mas os piores entre todos os parasitas do Estado são os que se dizem empresários e na verdade nada mais fazem do que a triangulação do dinheiro público, como no caso de João Dória Jr., ou seja na verdade não são empreendedores, não gostam de assumir riscos. Por isso investem pesado nas campanhas de seus candidatos e, quando conseguem o poder  praticam as piores falcatruas.

Como disse Machado de Assis, o Brasil real , o do povo, é bom , é bonito, alegre e criativo. O Brasil oficial é caricato e burlesco, administrado por uma elite  que se envergonha do povo a qual pertence, só olha para seu umbigo e acha a corrupção um dado da natureza.

É, assim agem os liberais brasileiros ,sem o mínimo de pena da pobre viúva!

Autor: Ivam Galvão
E-mail: ivamagalvaopoa@gmail.com












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