No ano de 1982 seu Geraldo mudou com a família da cidade de Visconde do Rio Branco - Minas Gerais, para a cidade de São Paulo. Com as poucas economias que trouxe na bagagem conseguiu comprar uma propriedade no bairro de Guainases, na zona leste da grande capital.
A família era bastante numerosa, eram oito filhos,sendo os dois mais velhos casados.No começo tudo era difícil, mas aos poucos as coisas foram se ajeitando. Seu Geraldo e os três filhos mais velhos conseguiram arranjar emprego na construção civil, outros três trabalhavam na industria metalúrgica, a única mulher filha ajudava a mãe no serviço da casa, enquanto Paulo Cezar, o caçula, ao completar dezoito anos foi convocado para o serviço militar. Servia no Segundo Batalhão de Guardas, à época sediado no centro da capital.
Paulo Cezar - o Paulinho, como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos, gostava muito da vida na caserna, permaneceu durante cinco anos no Exército Brasileiro,tempo máximo permitido a um soldado.
Após sair do Exército, Paulo Cezar, apaixonado pela vida militar, resolveu prestar concurso para a Polícia Militar de São Paulo. Aprovado, ingressou como soldado de segunda classe. Passados cinco anos foi promovido a cabo.
Com a carreira estável, Paulo Cezar, pensava agora em se casar e constituir uma família. Há três anos namorava Célia, sua vizinha, filha de dona Júlia. Ambos se conheceram na adolescência e eram perdidamente apaixonados.
Decisão tomada, Célia e Paulo Cezar estão resolvidos, iriam se casar. Agora era começar os preparativos e tocar pra frente. O Pai de Paulo Cezar, seu Geraldo, autorizou o filho a construir uma casa no terreno da família, já que havia bastante espaço. Era só comprar os materiais, uma vez que a mão de obra estava garantida pelo pai e pelos irmãos.
Só havia um problema(...) faltava o dinheiro para compra do material. Mesmo juntando todas as economias ainda faltava muito. Depois de uma conversa com Célia, Paulo Cezar resolveu que faria um empréstimo no Banco. Não haveria problema, pensou ele, era funcionário do Estado, o que talvez facilitasse as coisas.
Procurou primeiro um Banco público,mas foi informado que a linha de credito para construção e financiamento de casas estava fechado. Sem desanimar Paulo Cezar procurou então Bancos privados, dos menores aos maiores. Não teve jeito. Todos lhe negaram o pedido. A resposta era sempre a mesma. Não poderiam emprestar a quantia que Paulo Cezar precisava por sua renda ser incompatível e por não poder apresentar as garantias exigidas.
Sentindo-se humilhado, triste e abatido, sem alternativa, Paulo Cezar e Célia optaram por adiar o casamento. Resolveram que continuariam poupando e num futuro bem próximo realizariam o sonho de se casarem.
Numa tarde de quarta-feira, o cabo Cezar se apresenta no trabalho. Era lotado na 1ª Companhia do 32 Batalhão de Polícia Militar, em Suzano, município na região do Alto Tietê,na região metropolitana, onde o cabo Cezar faz parte da equipe da Força Tática.
Por volta das 15h as viaturas que se encontravam em patrulhamento receberam pela rede, o chamado para atender uma ocorrência de assalto a Banco na rua principal no centro da cidade.
Imediatamente a equipe do cabo Cezar se deslocou para o local, chegando em pouco minutos.
Foi tudo muito rápido,quando a viatura de Paulo Cezar chegou, os assaltantes que estavam fortemente armados já se preparavam para deixar o local. De pistola em punho Paulo Cezar salta da viatura dando voz de prisão aos assaltantes. Estes de pronto reagem atirando contra a viatura. No revide os policiais atingiram dois dos assaltante. De repente um dos soldados grita para um outro colega: - “acertaram o cabo Cezar!”. Os bandidos portando armas de guerra atiravam para todos os lados afim de atemorizar as pessoas, um tiro de fuzil AR-15 atingiu Paulo Cezar na testa. A morte foi instantânea.
Na tarde do dia seguinte colegas de serviço, oficiais e praças da PM, familiares e amigos, num misto de tristeza e revolta acompanharam o cortejo até o cemitério local. Horas depois com honras militares o corpo do cabo da Polícia Militar de São Paulo - Paulo Cezar da Silva - baixava sepultura. A emoção tomou conta das pessoas, Célia, a noiva passou mal e teve que ser socorrida. Seu Geraldo inconformado maldizia a hora em que o filho escolheu ser policial.
Sim, Paulo Cezar foi morto aos 30 anos em pleno cumprimento do dever. Morreu em confronto com assaltantes de Banco. A grande ironia de tudo isso é que o bravo e destemido policial, não foi morto quando defendia uma velhinha inocente que estava sendo assaltada, mas morreu defendendo o patrimônio do Banco. O mesmo Banco que há poucos dias tinha lhe negado um empréstimo. E este nem se quer se dignou a enviar uma coroa de flores, para quem deu a própria vida em defesa de seu rico patrimônio. O policial Paulo Cezar da Silva seguiu a máxima: fazer o bem sem olhar a quem. Exemplo de destemor e dignidade.
Autor: Ivam Galvão - E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com
A família era bastante numerosa, eram oito filhos,sendo os dois mais velhos casados.No começo tudo era difícil, mas aos poucos as coisas foram se ajeitando. Seu Geraldo e os três filhos mais velhos conseguiram arranjar emprego na construção civil, outros três trabalhavam na industria metalúrgica, a única mulher filha ajudava a mãe no serviço da casa, enquanto Paulo Cezar, o caçula, ao completar dezoito anos foi convocado para o serviço militar. Servia no Segundo Batalhão de Guardas, à época sediado no centro da capital.
Paulo Cezar - o Paulinho, como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos, gostava muito da vida na caserna, permaneceu durante cinco anos no Exército Brasileiro,tempo máximo permitido a um soldado.
Após sair do Exército, Paulo Cezar, apaixonado pela vida militar, resolveu prestar concurso para a Polícia Militar de São Paulo. Aprovado, ingressou como soldado de segunda classe. Passados cinco anos foi promovido a cabo.
Com a carreira estável, Paulo Cezar, pensava agora em se casar e constituir uma família. Há três anos namorava Célia, sua vizinha, filha de dona Júlia. Ambos se conheceram na adolescência e eram perdidamente apaixonados.
Decisão tomada, Célia e Paulo Cezar estão resolvidos, iriam se casar. Agora era começar os preparativos e tocar pra frente. O Pai de Paulo Cezar, seu Geraldo, autorizou o filho a construir uma casa no terreno da família, já que havia bastante espaço. Era só comprar os materiais, uma vez que a mão de obra estava garantida pelo pai e pelos irmãos.
Só havia um problema(...) faltava o dinheiro para compra do material. Mesmo juntando todas as economias ainda faltava muito. Depois de uma conversa com Célia, Paulo Cezar resolveu que faria um empréstimo no Banco. Não haveria problema, pensou ele, era funcionário do Estado, o que talvez facilitasse as coisas.
Procurou primeiro um Banco público,mas foi informado que a linha de credito para construção e financiamento de casas estava fechado. Sem desanimar Paulo Cezar procurou então Bancos privados, dos menores aos maiores. Não teve jeito. Todos lhe negaram o pedido. A resposta era sempre a mesma. Não poderiam emprestar a quantia que Paulo Cezar precisava por sua renda ser incompatível e por não poder apresentar as garantias exigidas.
Sentindo-se humilhado, triste e abatido, sem alternativa, Paulo Cezar e Célia optaram por adiar o casamento. Resolveram que continuariam poupando e num futuro bem próximo realizariam o sonho de se casarem.
Numa tarde de quarta-feira, o cabo Cezar se apresenta no trabalho. Era lotado na 1ª Companhia do 32 Batalhão de Polícia Militar, em Suzano, município na região do Alto Tietê,na região metropolitana, onde o cabo Cezar faz parte da equipe da Força Tática.
Por volta das 15h as viaturas que se encontravam em patrulhamento receberam pela rede, o chamado para atender uma ocorrência de assalto a Banco na rua principal no centro da cidade.
Imediatamente a equipe do cabo Cezar se deslocou para o local, chegando em pouco minutos.
Foi tudo muito rápido,quando a viatura de Paulo Cezar chegou, os assaltantes que estavam fortemente armados já se preparavam para deixar o local. De pistola em punho Paulo Cezar salta da viatura dando voz de prisão aos assaltantes. Estes de pronto reagem atirando contra a viatura. No revide os policiais atingiram dois dos assaltante. De repente um dos soldados grita para um outro colega: - “acertaram o cabo Cezar!”. Os bandidos portando armas de guerra atiravam para todos os lados afim de atemorizar as pessoas, um tiro de fuzil AR-15 atingiu Paulo Cezar na testa. A morte foi instantânea.
Na tarde do dia seguinte colegas de serviço, oficiais e praças da PM, familiares e amigos, num misto de tristeza e revolta acompanharam o cortejo até o cemitério local. Horas depois com honras militares o corpo do cabo da Polícia Militar de São Paulo - Paulo Cezar da Silva - baixava sepultura. A emoção tomou conta das pessoas, Célia, a noiva passou mal e teve que ser socorrida. Seu Geraldo inconformado maldizia a hora em que o filho escolheu ser policial.
Sim, Paulo Cezar foi morto aos 30 anos em pleno cumprimento do dever. Morreu em confronto com assaltantes de Banco. A grande ironia de tudo isso é que o bravo e destemido policial, não foi morto quando defendia uma velhinha inocente que estava sendo assaltada, mas morreu defendendo o patrimônio do Banco. O mesmo Banco que há poucos dias tinha lhe negado um empréstimo. E este nem se quer se dignou a enviar uma coroa de flores, para quem deu a própria vida em defesa de seu rico patrimônio. O policial Paulo Cezar da Silva seguiu a máxima: fazer o bem sem olhar a quem. Exemplo de destemor e dignidade.
Autor: Ivam Galvão - E-mail: ivamgalvaopoa@gmail.com
Triste. Hoje em dia vivemos numa confusão danada, já nem sei o que pensar. Quando a gente vê notícias de policiais mortos uem cumprimento do dever, não dá ibope e bandidos mortos por policiais, que são crucificados. Em épocas de "passeatas" quando a polícia desce a borracha no povo baderneiro então? Não entendo .... porquê a polícia tem que se submeter a essas coisas. Quero deixar claro que também existem os casos de poluciais que abusam da farda pra fazer justiça com as próprias mãos. Difícil
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