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| Charge de Belmonte publicada em 25 de maio de 1946 |
O samba não é somente um gênero musical, é também o fechamento de um círculo civilizatório.Há pesquisadores, particularmente cariocas, que afirmam que o samba é carioca. Claro que não. Encontramos espelhados pelo Brasil diversas variações do samba, sendo que todas têm a origem nos batuques africanos. Na Bahia tem o samba de roda, em Pernambuco tem o samba de coco, em São Paulo tem o samba de bumbo e no Rio de Janeiro tem o samba de partido-alto. No final do século XIX e começo do XX, os negros se encontravam nas casas das “tias” ou “ avós” para festas ou manifestações religiosas, onde aconteciam os batuques e, foi a mistura desses rítimos que deu origem ao gênero musical que hoje chamamos de samba, o que não acontecia até o final do século XIX e começo do XX quando as pessoas não “ouviam samba elas “iama ao samba”, ou seja iam à festa.
No Rio de Janeiro o samba tem suas origens nos morros e depois vai para a zona rural da cidade onde hoje são os bairros subúrbios Osvaldo Cruz e Madureira. Dando origem as grandes escolas de samba do carnaval carioca. Em São paulo, o samba tem suas raízes na região de Piracicaba, Capivari e Tietê, onde até hoje há os encontros de Batuques de Umbigadas e dança do Jongo.
Após migrarem para a capital os negros foram habitar as varzeas e as encostas da cidade como: Baixada do Glicério, onde fundaram a Escola de Samba Unidos do Lavapés, a mais antiga de São Paulo, O bairro do Bixiga e a Barra Funda. A zona norte de São Paulo é onde está a maioria das Escolas de Samba do carnaval paulistano, onde grande parte da população é composta por negros e afrodescendentes.
Nestes 100 anos de samba, independentemente das divergências dos historiadores, o fato é que ele tem sido o grande fator da resistência cultural do povo negro no Brasil. Perseguido no passado e enfrentando muito preconceitos nos dias atuais, o samba faz parte da identidade do povo brasileiro.
Sambistas como: Paulo Benjamin de Oliveira - o Paulo da Portela, Angenor de Oliveira - o Cartola, Ismael Silva, Sinhô, Donga, João da Baiana, Candeia, todos do Rio de Janeiro, em São Paulo Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde, dona Eunice, Alberto Alves - o seu Nenê, são os grandes heróis dessa resistência, e merecidamente têm seus nomes gravados para sempre na história e na memória do nosso povo.
Autor: Ivam Galvão

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