O paraíso do vira-bosta

Em 1986, o escritor brasileiro Emil Farah lançou o livro cujo título era: "O paraíso do Vira-bosta". O livro foi editado por T.A. Queiroz e, o autor abre a obra com uma explicação. “O vira-bosta assume o palco. Em flagrante individualizados, outros autores e críticos sociais já haviam entrevistado  o perfil do vira-bosta, numa ou noutra personalidade da nossa vida pública.

Concomitantemente, em incessantes análises dos fatos do cotidiano, vinhamos percebendo que se torna galopante e cada vez mais atrevida, a expansão nacional do parasitismo - exatamente o comportamento que, na escala ornitológica, caracteriza o vira-bosta, também conhecido como Chupim. Essa acelerada dimensão da presença do vira-bosta extrapola os anátemas individuais e isolados, para tornar-se símbolo da grave preocupação nacional”.

O tema central do livro aborda a discussão que se fazia no Brasil á época sobre os funcionários públicos com super salários que foram apelidados de marajás, numa alusão aos marajás indianos.
Num trabalho que reuniu uma rigorosa pesquisa, o autor com inteligência e bom humor, se serviu de uma metáfora para denunciar o parasitismo existente no Brasil, comparando um pássaro que vive em todas as regiões do nosso país que em alguns lugares é conhecido popularmente como vira-bosta. Também conhecido como chupim (Molothrus bonariensis), este pássaro é um parasita, costuma viver as custas de outro pássaro, acampando em ninho alheio. Nos campos costuma ficar rolando bolinha de cocô de vaca, daí o apelido de vira-bosta.

Marajá no Brasil virou sinônimo de alguém que ganhava muito e não fazia nada. isto gerou um sentimento de revolta na população que acabou elegendo um presidente que se intitulava “ o caçador de marajás” . O hoje senador Collor de Mello.

No Brasil o número de funcionários públicos que vivem com salários nababescos as custas do povo  é enorme. Neste caso, não há exceção entre os três poderes da República. O pior é  que o parasitismo se espalhou para Estados e municípios do país inteiro.

Setores da nossa elite responsável pela administração pública em nosso país, consegue através de artifícios aprimorar mecanismos  que permitem  a apropriação da renda pública através de salários e vantagens.

Entre os que se colocam acima do bem e do mal está a casta de políticos. Estes além de altos salários e muitos privilégios também querem se colocar acima da lei.

Na terça-feira, 14, a Polícia Federal, juntamente com o Ministério Público Federal, com autorização da justiça, cumpriu o mandado de busca e apreensão em apartamentos funcionais, escritórios  e casa de alguns políticos suspeitos de estarem envolvidos no esquema de propina das obras da Petrobras.
Só na casa de um dos suspeitos a polícia apreendeu três automóveis de luxo, cujo o valor somado passa de 6 milhões de reais. A PF também apreendeu documentos, computadores e, em um dos imóveis até uma certa importância em dinheiro vivo.

A  ação da PF e do Ministério Público, apesar de ser autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, gerou protestos no Senado Federal. O senador Fernando Collor, em cuja casa foram apreendidos os carros de luxo classificou a operação da PF de truculenta e arbitrária. disse que está sendo vítima de perseguição por parte do Procurador Geral, Rodrigo Janot.

O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que o país vive “ tempos sombrios”, e o senador não estava se referindo à crise econômica ou a corrupção. Ele protestava contra a operação da PF que apreendeu os carros de luxo na casa de Collor.

A fala de Renan Calheiros é bastante emblemática e reveladora. Renan não fala só em nome dos senadores, os quais como presidente do Senado  ele pode representar, mas sim em nome de uma pequena casta , que além de altos salários e regalias, se coloca acima das instituições, se achando no direito de não serem se quer investigados, que dirá punidos. Com sua fala Renan Calheiros prega a impunidade não só aos privilegiados detentores de cargo políticos, mas também a todos os sinecuristas incrustados na trindade do poder e vivem parasitando as custas do povo brasileiro.

O que podemos esperar de um parlamento que na verdade é um colegiado de tiranos, um poder executivo enlameado pela corrupção e um poder judiciário corporativista? A resposta é: nada, ou muito pouco. Os parasitas ocuparam o palco e transformaram o país no paraíso do vira-bosta!

Autor Ivam Galvão - E-mail: ivamgalvoapoa@gmail.com   

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