A luta pela inclusão, justiça e liberdade

“Não estamos lutando  pela integração, nem pela separação.Estamos lutando é para sermos reconhecidos como seres humanos. Estamos lutando ...por direitos humanos” 
                                                                                                                            Malcolm X (l925-1965)

Nesta semana, no dia 13, quarta-feira, a abolição da escravidão no Brasil completará 127 anos. Foram quase 400 anos de escravidão institucional no país, sendo este o último país do continente americano à abolir a escrevidão, cujas sequelas permanecem até os dias de hoje.

O debate pós-abolição tem sido uma das lacunas da historiografia. Para o senso comum,  a trajetória do negro no Brasil se confunde com a trajetória do sistema escravista. Com o fim da escravidão fechou-se as cortinas do cenário historiográfico para os ex-escravos. A partir deste instante, suas experiências e vivências ficaram diluídas na categoria povo ou classe social, chegando a ponto de alguns desavisados pensarem que os negros abandonaram a condição de produtores de uma história especifica.

A abolição da escravidão foi o resultado do acúmulo da luta dos  negros escravizados, cujo processo durou mais de 350 anos. Aboliu-se a escravidão, o foco das atenções desloca-se diametralmente. Em vez do negro, os novos  personagens privilegiados  pela historiografia, principalmente a paulista, são imigrantes, operários, anarquistas, ou temas com industrialização, urbanização, oligarquia cafeeira. Se prestarmos atenção podemos verificar que o negro foi esquecido da história da primeira República (1889-1930), com raras exceções que serve para confirmar a regra.

Passados 127 anos o debate sobre o tema do negro continua bastante acanhado na sociedade brasileira. Mais da metade da população brasileira é de afro-descendentes, e isto naturalmente incomoda a classe dominante, que no fundo sente vergonha do país mestiço em que vivem e  praticam sua mazelas.

A população negra no Brasil sofre com a discriminação e o preconceito. Vive confinada nas favelas e comunidades. Não tem acesso à saúde, à educação, ao lazer e à cultura. Mora em lugares onde o esgoto corre a céu aberto, expostos à todo tipo de doenças.

Os trabalhadores negros são os últimos à serem contratados e são sempre os primeiros a serem demitidos. As mulheres negras continuam recebendo salário inferior ao das mulheres brancas ocupando as mesmas funções. Nas periferias das grandes cidades, jovens negros continuam sendo mortos pela polícia, cuja as versões são sempre unilaterais.

Mudar esse tipo de situação implica em aprofundar a discussão sobre a democracia, elaborar propostas junto à população negra, preparar intelectuais para que possam apontar novos caminhos.
O Brasil tem de assumir de vez a sua negritude. O país nunca será um país desenvolvido, e muito menos civilizado, enquanto não  incluir em seu processo de desenvolvimento a maioria de seus filhos. Já disse e repito: temos que criar no Brasil uma contra-elite republicana, onde o negro seja um de seus principais protagonista. É importante ressaltar que a luta do negro no Brasil é por democracia, liberdade, justiça social e solidariedade. Sem ódio, mas também sem medo. Ousar lutar é ousar vencer!

Autor: Ivam Galvão

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