Debater com seriedade

Neste momento em que o país se encontra de novo mergulhado numa crise econômica, o que não falta são pessoas iluminadas e políticos oportunistas apontando soluções. Durante a campanha eleitoral para presidente, uma das soluções apresentada para cortar despesas do governo era  o enxugamento da maquina administrativa, começando pela diminuição do número de ministérios e a diminuição de cargos de confiança. O tema até se transformou em arma no conflito entre o Legislativo e a presidente Dilma Rousseff .

É sempre oportuno colocar em questão a disfuncionalidade do Estado brasileiro, mas, restringir o debate  ao enxugamento de cargos e ministérios da maneira que fazem Eduardo Cunha e Renan Calheiros é que parece ser um oportunismo demagógico.

A Constituição de 1988 criou no Brasil o tal presidencialismo de coalizão, o que obriga o governo de plantão a buscar maioria no Congresso em nome da governabilidade. Alguns ministérios foram criados como instrumentos para aumentar o peso de políticas públicas como os da igualdade racial, o da mulher e o do direitos humanos, mas, a grande maioria deles foi para acomodar os indicados dos partidos da base aliada. Assim, partidos com alto grau de fisiologismo, como é o caso do PMDB, sobrevivem na política chantageando governos de forma despudorada, principalmente um governo com a popularidade baixa, como o caso da presidente Dilma.

O debate sobre a diminuição de gastos públicos merece um pouco mais de seriedade e, sem duvida demanda um esforço conjunto dos três poderes da República. A diminuição de ministérios por si só teria pouco efeito pratico, pois, com certeza os ministérios extintos seriam agrupados em secretarias e em outros gabinetes e talvez as despesas só aumentariam.

O que a sociedade reclama são medidas efetivas de combate a corrupção, a reforma política, a reforma tributária. Mas o problema dos gastos passa pelo aumento da nossa capacidade de gestão da coisa pública. É o caminho que temos que construir, mas sempre somos atrapalhado pela parte macunaima impregnada em boa parte da personalidade da nossa elite dirigente.

Autor: Ivam Galvão

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