Um bode na sala

Pedro e Terezinha se conheceram numa festa em comemoração a São José, o santo padroeiro do bairro onde moram até hoje. Ele um rapaz trabalhador, fez o curso de eletricista no Senai e trabalhava como eletricista de manutenção na maior industria da região. Ela menina também muito prendada e bastante responsável perdera os pais num acidente sendo criada pela avó. Não demorou muito para o casal se descobrir apaixonados. Assim depois de pouco tempo de namoro logo se casaram.

Terezinha trabalhava como inspetora de alunos na escola do bairro, mas logo no primeiro ano de casada teve que abandonar o emprego por conta da gravidez. Meses depois veio Mateus, o primogênito do casal, em seguida André, depois Rute, depois Maria Tereza, depois Tiago, depois Lídia. Enfim, o casal fora tendo filho um atrás do outro até chegar um total de nove.

Pedro as vezes trabalhava até aos domingos para dar conta das despesas com  a criançada. Era uma escadinha,sempre havia alguém precisando de um calçado ou uma roupa nova. Terezinha se matava de tanto trabalhar nos afazeres da casa, além das idas obrigatórias ao posto de saúde do bairro. O casal agradecia a Deus, pois todas as crianças eram saudáveis, exceto os incômodos consideradas normais em crianças, demais ia tudo bem.

Nas festas importantes Pedro e Terezinha iam sempre à casa dos pais dele e, para levar todas as crianças alugavam a Van do vizinho. Quando lá chegavam as crianças eram recebidas com festa pelos avós dona Rosalina e seu Joaquim.

Apesar do casal se amar bastante, Pedro andava meio triste. Queixava-se aos amigos da bagunça que as crianças faziam em sua casa. Por mais que Terezinha se esforçasse a casa nunca parava limpa. O dia inteiro e parte da noite era choro e briga de criança, elas corriam pela casa, subiam no sofá. Era um horror.

Até que um dia Pedro ao se queixar com um amigo,também dono de uma desmedida prole, recebeu deste um conselho; Pedro deveria colocar um bode amarrado no meio da sala de sua casa durante trinta dias.  - Você está louco, reagiu Pedro. Mas diante da insistência do amigo Pedro não só concordou com a ideia como convenceu Terezinha. Assim os dois resolveram fazer a experiência e seguiram o conselho do amigo.

Ao cabo da primeira semana o casal já não aguentava mais. Juntou os nove filhos mais o bode aí  era uma bagunça generalizada. Desesperado Pedro foi ao amigo dizendo que aquilo era uma loucura e que iria desistir da ideia. O amigo vendo o desespero de Pedro insistiu mais uma vez para que o casal continuasse e que só depois de trinta dias deveriam  tirar o bode da sala. E assim foi feito.

Trinta dias depois a experiência chega ao fim.Pedro e Terezinha retiram o bode da sala. Pedro com a cara alegre, aparentando estar feliz diz ao amigo; “ muito obrigado, você salvou até meu casamento, agora que tirei o bode da sala sabe que minha casa ficou tão legal” O amigo sorriu e disse a Pedro; - Pois é meu amigo assim também é na política, A Dilma está tão ruim  que faz até o Sarney parecer melhor! Assim Pedro e Terezinha viveram em paz para sempre.

Autor: Ivam Galvão

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