Amanhã vai ser outro dia

Nesses trinta anos de democracia o Brasil andou um pouco para a frente. À passos lentos, mas andou. Claro que continuamos a ser o país com a maior concentração de renda do mundo, apesar de sermos a sexta ou sétima economia do planeta. Claro que a corrupção por aqui é vergonhosa.  Temos ainda muitas crianças fora da escola.  Um grande número de analfabetos e analfabetos funcionais. E ainda, problemas de violência contra crianças, mulheres, negros e o grupo LGBT. A bem da verdade ainda somos uma sociedade hierarquizada,patrimonialista, racista, violenta, injusta e desigual. Apesar das mazelas de nossos políticos, o país conquistou alguns avanços.

 A sociedade brasileira é uma sociedade de classes e, como qualquer sociedade com esta característica, a luta de classes  se evidencia sempre em momentos de crise econômica. Um outro aspecto que reflete bem a luta de classe presente na nossa sociedade é o comportamento do poder judiciário.No Brasil há mais de 250 mil pessoas presas sem julgamento, em condições sub-humanas, em presídios lotados  pelo país afora. Em comum entre essas pessoas é que têm a idade entre 18 e 25 anos, são negros ou pardos e são sempre apanhados em bairros ou comunidades pobres. Dizem que a justiça é cega, mas sempre enxerga quando se trata de pessoas ricas ou famosas. Haja vista os condenados no mensalão.

Os acusados no caso do mensalão, foram julgados, condenados e presos. Entre eles, deputados, empresários, funcionários públicos de alto escalão e um ex-ministro de Estado. Coisa impensável num passado recente.

De novo, nós brasileiros estamos assistindo perplexos a investigação do escândalo na Petrobras. Desta vez estão presos executivos de grandes empreiteiras, doleiros e ex diretores da maior estatal brasileira, sem duvida a mais importante.

O fato mais curioso no meio de todo esse escândalo foi o nome dado a uma das fases da “Operação Lava Jato”, “ Que país é esse”? Esta frase foi usada por Renato Russo,o saudoso líder da banda Legião Urbana e, o seu criador foi o político piauiense Francelino Pereira, num episódio em que o presidente da República, general Ernesto Geisel, prometia realizar eleições para governadores  de Estado e a oposição, na época  - o MDB - não acreditou na promessa de Geisel. Mas o que tem a ver a frase de Francelino Pereira com tudo isso?  Explico!

O ex diretor de engenharia da Petrobras, Renato Duque, acusado de recebimento de propina, ao ser preso pela primeira vez em novembro do ano passado, a Polícia Federal interceptou com autorização da justiça a conversa onde Duque falava com seu advogado, ao saber da prisão reagiu indignado; - “que país é esse”, disse Duque.

A frase dita por Duque naquele contexto é emblemática e bastante reveladora. Ele era simplesmente um dos diretores mais bem pagos da Petrobras. Sob sua responsabilidade estavam os grandes projetos da empresa. Ao dizer a frase é como se ele, Duque, estivesse dizendo; como,eu? preso? Eu, um homem branco, rico, bem formado, que adoro viajar com a família para o exterior, que aprecia bons vinhos, que coleciona obras de arte. Como assim, preso? Será que não houve algum engano? Afinal sou um homem bem relacionado. Será que o Lula está sabendo disso?

Pessoas como Renato Duque, cometem crimes apostando na impunidade, pois até bem pouco tempo um homem como ele jamais seria importunado , mesmo se pego com a boca na botija. Mas agora o Brasil é outro, o povo brasileiro não vai mais admitir que corruptos fiquem impunes  Respondendo a Ricardo Duque, este é o Brasil, que apesar de você ainda acredita que amanhã será outro dia!

Autor: Ivam Galão

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