Resistir é preciso

O Brasil é o país com a maior população negra fora do continente africano, os afrodescendentes somam mais da metade dos 200 milhões de habitante.

Muitos traficantes e negociantes de escravos fizeram grandes fortunas traficando seres humanos do continente africano para as Américas e Europa.

Após a proibição do trafico de escravos, em 1850, pela Inglaterra, muitos navios negreiros clandestinos entraram no país, e até hoje costumamos usar a expressão"para inglês ver", como se dizia na época , sobre a lei Euzébio de Queiroz , que proibia a entrada de navios negreiros no Brasil.

Sendo o último país da América a abolir a escravidão, o Brasil usufruiu da mão de obra escrava por mais de 350 anos, sendo trazidos para cá negros de diversos lugares do continente africano e pertencentes a várias etnias. Angola, Congo, Costa do Marfim, Moçambique, Guiné, Mali, Nigéria e de tantos outros lugares vieram pessoas, que aqui foram escravizadas, e embora de maneira forçada deram uma inigualável contribuição na construção da identidade do nosso país.

A luta pelos direitos humanos no Brasil se confunde com a luta do povo negro, que apesar das enormes dificuldades impostas pelo sistema escravocrata, resistiu bravamente as tentativas de extermínio. Ainda hoje em muitos cantos do país existe os povos quilombolas, que, remanescentes dos antigos quilombos hoje lutam para conquistar seu espaço e seus direitos negados pela história e pela sociedade.

Assim que o negro pisou em solo brasileiro, começou sua luta contra a opressão. O movimento de resistência mais conhecido é  a luta de Zumbi dos Palmares, mas, outros movimentos  também se espalharam pelo país.

No século XIX, os haussás, os iorubás e fulanís escreveram umas das mais belas paginas de nossa história, ao organizarem a grande revolta urbana na cidade de Salvador, Bahia, episódio que ficou conhecido como a revolta dos malês, tendo entre seus líderes principais; Pacifico Licutan, Luíza Mahim, que era a mãe do abolicionista Luiz Gama, e o negro Cibirilo

Apesar de tanta luta no decorrer da história os afrodescendentes no Brasil ainda continuam sendo tratados como cidadãos de segunda classe.

Falta de moradia, desemprego, empregos de baixa remuneração, dificuldades no acesso a educação de qualidade, preconceito e discriminação racial, violência policial etc. Os indicadores sociais do IBGE, no que diz respeito a população negra são escandalizantes, de qualquer forma que faça a leitura dos mesmos, os negros sempre estão em desvantagem.

Muitas coisas avançaram nestes últimos anos, mas muita coisa ainda  precisa avançar, o preconceito e o racismo atrapalham e muito o desenvolvimento do Brasil. Um país que quer ser chamado de desenvolvido não pode marginalizar a maioria de seus cidadãos. Mas , temos que manter acesa  a chama da esperança, afinal resistir é preciso.

Autor: Ivam Galvão

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