Elite Ou Escumalha?

Para quem tem um pouco de afinidade com a caserna, sabe que nos meios militares quando se refere à elite da tropa, está se referindo aos melhores. São os elementos previamente selecionados, bem treinados para administrar crises e enfrentar as situações adversas. Além de que estão sempre prontas para atuar em qualquer situação em que são requisitadas.

Em termos civis, o termo elite já não tem o mesmo significado igual ao dos meios militares. Ou seja quando falamos em elite civil, nem sempre estamos nos referindo aos melhores ou aos mais preparados. No Brasil existe elite em vários setores; elite sindical, elite intelectual, elite cultural, elite política e a elite dirigente.

A nossa elite dirigente, aquela que ocupa os cargos públicos, e formada nas melhores escolas do país, com mestrado e doutorado no exterior. O problema é que  boa parte dessa elite é formada por alunos de terceira em escolas de primeira, mas assim mesmo ocupam os cargos mais graduados da República.

Se as nossas elites têm sido extremante competente quando se trata de garantir seus privilégios, por outro lado se mostram extremamente estupida quando se trata de cuidar das coisas do Estado e da administração pública.

Entre tantos problemas pelos quais passa o nosso país,salta aos olhos a falta de planejamento para quase tudo o que acontece  no Brasil. Haja vista as crises da água e da energia elétrica.
Mas, o problema gritante no momento é a água. Um terço dos domicílios brasileiros relatam ter sofrido interrupção no fornecimento de água nos últimos 30 dias, segundo o Datafolha. Segundo o " Atlas do Abastecimento Urbano de Água" de 2011, informa que 55% dos municípios, 73% da demanda total  estão sujeitos à falta de água nas próximas décadas.

Apesar do Brasil dispor da maior reserva de água doce do planeta, a má gestão dos nossos recursos hídricos por parte da elite dirigente tem sido sofrível. Em São Paulo, o exemplo mais emblemático é o caso do Rio Tietê. Rio outrora navegável, hoje é um verdadeiro esgoto a céu aberto, onde empresas e muitas cidades que o margeiam despejam seus esgotos  " in natura" no rio.

A crise no abastecimento, contudo, é apenas a parte mais visível da inércia na gestão dos nossos recursos hídrico. No país são 145 milhões de habitantes despejando esgoto sem tratamento em nossos rios, lagoas, lagos e córregos.

Infelizmente o problema da poluição da água no Brasil está longe de ser resolvido, por enquanto a nossa elite dirigente está preocupada em discutir  futilidades em jantares com salmão defumado regado à champanhe francês e comentar suas viagens internacionais à custas do dinheiro público.
Esta elite bem que poderia ser chamada de escumalha!

Autor: Ivam Gavão

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