Adeus país do Futebol

Pertenço a uma geração que cresceu ouvindo que o Brasil era o país do futebol e do Samba. Dizia-se aos quatro cantos que não havia no mundo ninguém se igualava aos brasileiros no futebol. Os mais ufanistas diziam que  o futebol era uma coisa que já nascia com o brasileiro, que não havia a necessidade nem de treinar. Tudo isso se ouvia nos botecos ou em qualquer lugar onde houvesse alguém falando sobre futebol.

Ganhamos cinco Copas do Mundo, sendo que nas três primeiras fomos fantásticos, além de ganharmos o título de campeões o Brasil ainda apresentou ao mundo aquele que seria considerado o maior jogador do mundo em todos os tempos, o Pelé.

Em 2002, após o fracasso da seleção brasileira na França em 1998, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nomeou uma nova comissão técnica com Luis Felipe Scolari o novo como treinador. No começo houve resistência por parte da imprensa, pois a rusticidade e o seu jeito caudilho causava uma certa rejeição  no meio dos cronistas esportivos, mais acostumados a treinadores com sotaque carioca.

Mas, apesar de tudo Felipão deu conta do recado. Com bons jogadores e um trabalho bem feito a seleção brasileira sagrou-se campeã pela quinta vez.

De lá para cá o Brasil já teve três derrotas, com a de 2014, e, desde 2002 a seleção não disputava uma semi-final de Copa do Mundo.

Com a vergonhosa derrota sofrida pela seleção brasileira para a seleção da Alemanha, ficou claro para todos os que assistiram aquela partida que o Brasil deixou de ser o país do futebol. Foi um verdadeiro fiasco, os jogadores brasileiros totalmente perdidos e os alemães passeando com a bola dentro de campo.

Foi a vitória do planejamento, das ações bem executadas contra  a nossa ignorância, contra a nossa soberba.

Luis Felipe Scolari se mostrou um técnico ultrapassado em seus métodos de trabalho baseado puramente na motivação psicológica. Sem nenhum plano tático convincente Felipão escalou o time de maneira errada, quis jogar com a Alemanha de igual pra igual e deu no que deu, uma acachapante derrota por 7 a 1.

Esta derrota histórica é o reflexo da decadência do futebol brasileiro na atualidade. A falta de organização, a corrupção, o calendário ruim, o despreparo dos nossos treinadores são coisas que estão inseridas no contexto da massacrante derrota.

Agora não adianta chorar o leite derramado. Que esta derrota nos sirva para alguma coisa. Não vamos juntar os cacos do vaso quebrado, devemos construir um novo vaso. O momento exige mudanças de cima a baixo, começando pelos cartolas.

Se quisermos ser de novo o país do futebol, teremos que levar as coisas mais a serio. Investir em formação de atletas, investir na capacitação de nossos treinadores, combater com firmeza a corrupção no meio do futebol, organizar melhor os nossos campeonatos tornando-os mais atrativos. Assim, talvez o Brasil deixará de ser exportador de pé de obra e se tornará exportador de espetáculos.

Bem, ainda nos resta o samba. Este sim é nosso e ninguém tasca, mas quem sabe com um pouquinho mais de esforço também poderemos ser o país da boa educação, da boa saúde, da sustentabilidade e da boa qualidade de vida. Afinal não custa nada ter esperança!

Autor: Ivam Galvão

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