No ano de 1983 fui visitar um amigo, jornalista Claudio Campos, que se encontrava preso no quartel da cavalaria da PM de São Paulo. Em pleno regime de ditadura Claudio Campos fora condenado pela lei de segurança nacional por ter denunciado através do jornal que dirigia - o Hora do Povo- , as contas secretas na Suíça.
A denuncia envolvia o nome de várias autoridades do governo, foi um rebu danado. Um tremendo alvoroço, bancas foram atacadas, jornais foram apreendidos, a sede do jornal sofreu dois ataques à bomba, e Claudio acabou condenado e preso.
Claudio Campos era um grande patriota, vivia o tempo todo pensando nos problemas do Brasil, mesmo preso não parava de trabalhar, em sua cela havia uma mesa, uma maquina de escrever e uma cama onde dormia. Havia também vários cinzeiros pois ele fumava muito.
Marxista-leninista convicto, Claudio Campos teorizava muito, sempre encontrava uma resposta para a situação que o país estava passando, era sempre muito otimista.
Neste dia entrei na sala onde ele se encontrava e na nossa longa conversa me lembro que eu me queixava muito das coisas que estavam acontecendo. Me queixava das injustiças, da violência que o regime impunha ao povo, da falta de impunidade aos políticos corruptos, enfim me queixava de tudo.
Depois de mais de quatro horas de conversa , ao me despedir, Claudio colocou a mão sobre o meu ombro e disse; "companheiro nós não podemos perder a capacidade de indignação, devemos nos indignar sim, diante das injustiças,diante das falcatruas dos políticos, diante da fome e da miséria impostas ao nosso povo.
Tudo isto companheiro vai mudar não podemos deixar de ter esperança." Ouvindo isso nos abraçamos e eu fui embora.
Trinta anos se passaram desta minha conversa com Claudio Campos, nunca mais me esqueci daquela sua frase, sempre cultivei a minha capacidade de indignação, e a bem da verdade, motivos para ficar indignado é o que não faltam.
Apesar dos avanços conquistados, o Brasil ainda continua com os velhos problemas; corrupção que aumenta a cada dia,fraudes, falcatruas, violência policial contra o povo pobre, descaso com a saúde, com a educação, a segurança publica que anda um caos nos grandes centros urbanos, as elites que não querem cidadania e, sim privilégios e mais uma série de outras coisas.
Apesar de nossa democracia ainda estar um pouco capenga, de 1988 para cá conquistamos alguns avanços. Alguns até significativos.
Umas das conquistas mais marcantes neste período democrático foi o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, que estabelece uma serie de normas de como a sociedade deve tratar daqueles que serão o futuro do país. A partir da aprovação do ECA as crianças e os adolescentes passaram a ser responsabilidade não só dos pais, mas de toda sociedade.
O ECA é uma beleza, parece uma lei feita para a Suíça, o problema está nossa capacidade em fazer a lei funcionar. Pois é exatamente na aplicação do Estatuto é que falhamos.
As autoridades não cumprem a parte que lhes cabem,a sociedade muito menos. Assim crianças e adolescentes ficam a mercê das paixões ,tentações e crueldades do mundo moderno.
A despeito da existência do ECA, a violência contra as crianças tem aumentado. Todos os dias crianças e adolescentes são vitimas de maus tratos por parte de adultos inescrupulosos.
O agravante é que as crianças que são mais vulneráveis estão sendo vitimas por parte daqueles que deveriam protegê-las, ou estão sendo violentamente agredidas e mortas por pais,mães ,madrastas e padrastos.
Há coisa de cinco anos o caso da menina Isabela Nardoni chocou o país, a menina de apenas 6 anos foi jogada do sexto andar de um prédio pelo pai e pela madrasta. Logo após aconteceram mais dois casos, ambos com requintes de máxima crueldade. Num desses casos os país mataram uma criança de apenas dois anos e ao tentarem jogar a criança num bueiro, a cabeça da criança enroscou na tampa, o pai esmagou a cabeça da criança para que ela passasse pelo buraco.
Há duas semanas um outro crime brutal contra um menino no Rio Grande do Sul, vem causando um misto de indignação e revolta nas pessoas em todo Brasil. Foi o assassinato de Bernardo Boldrini, de apenas 11 anos, cheio de vida, que foi morto pelo pai, pela madrasta e uma amiga do casal por conta de uma herança.
Este crime é inominável, assim também como a pena que deveria ser aplicada é difícil de se imaginar. Pior foi que Bernardo procurou a justiça para queixar-se que o pai não lhe dava carinho, amor e atenção, coisas estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas a juíza não levou o caso em consideração e mandou o menino de volta ao pai, que seria um dos seus algozes. Lamentável a atitude da juíza!
Na cidade onde Bernardo Boldrine Morava, o clima é de indignação e revolta, assim como no resto do Brasil. Os assassinos estão sob a custódia da policia, pois correm o risco de serem linchados pela população. Esse é o tipo de crime que nos faz perder toda a nossa crença no ser humano, nos deixa sem chão, a sensação é de frustração coletiva.
Bem,lembrando das palavras de Claudio Campos; não podemos deixar de nos indignarmos e nem perder a esperança, tudo vai melhorar, a saúde, a educação, o transporte publico etc, mas a pergunta que não cala é: e nós seres humanos quando iremos melhorar?
Autor: Ivam Galvão
A denuncia envolvia o nome de várias autoridades do governo, foi um rebu danado. Um tremendo alvoroço, bancas foram atacadas, jornais foram apreendidos, a sede do jornal sofreu dois ataques à bomba, e Claudio acabou condenado e preso.
Claudio Campos era um grande patriota, vivia o tempo todo pensando nos problemas do Brasil, mesmo preso não parava de trabalhar, em sua cela havia uma mesa, uma maquina de escrever e uma cama onde dormia. Havia também vários cinzeiros pois ele fumava muito.
Marxista-leninista convicto, Claudio Campos teorizava muito, sempre encontrava uma resposta para a situação que o país estava passando, era sempre muito otimista.
Neste dia entrei na sala onde ele se encontrava e na nossa longa conversa me lembro que eu me queixava muito das coisas que estavam acontecendo. Me queixava das injustiças, da violência que o regime impunha ao povo, da falta de impunidade aos políticos corruptos, enfim me queixava de tudo.
Depois de mais de quatro horas de conversa , ao me despedir, Claudio colocou a mão sobre o meu ombro e disse; "companheiro nós não podemos perder a capacidade de indignação, devemos nos indignar sim, diante das injustiças,diante das falcatruas dos políticos, diante da fome e da miséria impostas ao nosso povo.
Tudo isto companheiro vai mudar não podemos deixar de ter esperança." Ouvindo isso nos abraçamos e eu fui embora.
Trinta anos se passaram desta minha conversa com Claudio Campos, nunca mais me esqueci daquela sua frase, sempre cultivei a minha capacidade de indignação, e a bem da verdade, motivos para ficar indignado é o que não faltam.
Apesar dos avanços conquistados, o Brasil ainda continua com os velhos problemas; corrupção que aumenta a cada dia,fraudes, falcatruas, violência policial contra o povo pobre, descaso com a saúde, com a educação, a segurança publica que anda um caos nos grandes centros urbanos, as elites que não querem cidadania e, sim privilégios e mais uma série de outras coisas.
Apesar de nossa democracia ainda estar um pouco capenga, de 1988 para cá conquistamos alguns avanços. Alguns até significativos.
Umas das conquistas mais marcantes neste período democrático foi o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, que estabelece uma serie de normas de como a sociedade deve tratar daqueles que serão o futuro do país. A partir da aprovação do ECA as crianças e os adolescentes passaram a ser responsabilidade não só dos pais, mas de toda sociedade.
O ECA é uma beleza, parece uma lei feita para a Suíça, o problema está nossa capacidade em fazer a lei funcionar. Pois é exatamente na aplicação do Estatuto é que falhamos.
As autoridades não cumprem a parte que lhes cabem,a sociedade muito menos. Assim crianças e adolescentes ficam a mercê das paixões ,tentações e crueldades do mundo moderno.
A despeito da existência do ECA, a violência contra as crianças tem aumentado. Todos os dias crianças e adolescentes são vitimas de maus tratos por parte de adultos inescrupulosos.
O agravante é que as crianças que são mais vulneráveis estão sendo vitimas por parte daqueles que deveriam protegê-las, ou estão sendo violentamente agredidas e mortas por pais,mães ,madrastas e padrastos.
Há coisa de cinco anos o caso da menina Isabela Nardoni chocou o país, a menina de apenas 6 anos foi jogada do sexto andar de um prédio pelo pai e pela madrasta. Logo após aconteceram mais dois casos, ambos com requintes de máxima crueldade. Num desses casos os país mataram uma criança de apenas dois anos e ao tentarem jogar a criança num bueiro, a cabeça da criança enroscou na tampa, o pai esmagou a cabeça da criança para que ela passasse pelo buraco.
Há duas semanas um outro crime brutal contra um menino no Rio Grande do Sul, vem causando um misto de indignação e revolta nas pessoas em todo Brasil. Foi o assassinato de Bernardo Boldrini, de apenas 11 anos, cheio de vida, que foi morto pelo pai, pela madrasta e uma amiga do casal por conta de uma herança.
Este crime é inominável, assim também como a pena que deveria ser aplicada é difícil de se imaginar. Pior foi que Bernardo procurou a justiça para queixar-se que o pai não lhe dava carinho, amor e atenção, coisas estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas a juíza não levou o caso em consideração e mandou o menino de volta ao pai, que seria um dos seus algozes. Lamentável a atitude da juíza!
Na cidade onde Bernardo Boldrine Morava, o clima é de indignação e revolta, assim como no resto do Brasil. Os assassinos estão sob a custódia da policia, pois correm o risco de serem linchados pela população. Esse é o tipo de crime que nos faz perder toda a nossa crença no ser humano, nos deixa sem chão, a sensação é de frustração coletiva.
Bem,lembrando das palavras de Claudio Campos; não podemos deixar de nos indignarmos e nem perder a esperança, tudo vai melhorar, a saúde, a educação, o transporte publico etc, mas a pergunta que não cala é: e nós seres humanos quando iremos melhorar?
Autor: Ivam Galvão

Comentários
Postar um comentário