Democracia não se compra no super mercado

Neste mês que se finda completou cinquenta anos do golpe militar-civil-midiático no Brasil. A data foi lembrada com lançamentos de livros, filmes, documentários, palestras e a realização de vários eventos políticos e culturais em todos os cantos do país.

É interessante observar que todas as manifestações  foram de repudio ao golpe e contra a atitude dos militares do exército brasileiro qu, já traziam no currículo o vergonhoso massacre de Canudos, acrescentando mais as torturas e mortes ocorridas durante o regime de exceção que durou por 21 anos.

Fato comum nesses eventos é que sempre aparece alguém defendendo o regime militar, até mesmo alguns que não viveram e nem tiraram proveito do regime.

Muitos costumam falar mal da democracia, dizendo que agora virou bagunça. Dizem não ter mais ordem. Reclamam das manifestações populares, reclamam dos protestos, reclamam dax greves dos trabalhadores, repudiam a parada gay, acham um absurdo a ascensão dos negros, e não gostam de ver pobres viajando de avião. Além do mais insistem que o Brasil corre o risco dos comunistas tomarem o poder. São os reacionários de plantão.

A democracia não é um produto que compra em super mercado, democracia é um valor, onde se observa o primado da lei, o respeito às instituições. É sistema de autogoverno.

A qualidade da democracia é medida pelo respeito às minorias, assegurando à estas plenos direitos da convivência pacífica e harmoniosa  na sociedade.

O sistema democrático não é perfeito, talvez por isso seja sempre a segunda opção de qualquer  pretenso governante.

Seguir pelos caminhos da democracia é sempre o mais difícil.Exige paciência, disposição para o debate, saber ouvir, e, acima de tudo respeitar os que pensam  ao contrário.

No mês de junho do ano passado, o povo brasileiro saiu às ruas para protestar. Tudo começou com a reivindicação da diminuição do preço das passagens de ônibus, depois apareceram outras  pautas. Desde auto escolas para cegos até o pedido de retirada da tal lei da cura gay. Tinha de tudo nas manifestações. O que mais se via eram cartazes contra a corrupção.

Cientistas sociais de todos os matizes tentavam entender o que estava acontecendo, pois não havia um um comando, a convocação foi feita pelas redes sociais, o fenômeno do momento.

A polícia agiu com a mesma truculência dos tempos da ditadura, houve fartura no uso de balas de borracha e bombas de efeito moral.

A elite política brasileira, ao perceber a força do movimento, mais de um milhão de pessoas nas ruas em todo país, fez o que sempre faz; realizou várias reuniões de emergência, a Câmara e o Senado votaram algumas leis que estavam na pauta das reivindicações do povo das ruas, a presidente Dilma propôs  um plebiscito,que não deu em nada, ou seja todas leis as que os políticos votaram naquele período, nenhuma delas mexeu na estrutura política do país. É a velha tática da elite que vem desde dos tempos do império, a de entregar os anéis para não perder os dedos.Assim muda-se algo para ficar igual.

O que ficou claro nas manifestações é que estamos passando por uma crise de representatividade, haja vista a rejeição aos partidos políticos ocorrida durante as manifestações.

Pela grande diversidade  de reivindicações pautadas nas manifestações indica que o povo sabe que muitas coisas precisam ser mudadas só não sabe dizer o quê e como.

Este ano é ano de eleição.Vamos à urnas para eleger deputados Estaduais, Federais, Senadores, Governadores e um Presidente, talvez esteja aí a grande oportunidade de votarmos em candidatos comprometidos com as mudanças.

A necessidade de mudanças se coloca de forma imperiosa. Já passa da hora de fazermos as reformas que o país reclama. Reforma agraria, reforma urbana, reforma política, reforma sociais, e reforma no Estado brasileiro. Tudo isso dentro do sistema democrático.

Temos que lutar muito. Temos que trabalhar muito. Proteger a democracia das ações perversa dos  "democracidas" que colocam em risco a liberdade. O povo tem que voltar a participar. Esta é uma tarefa de todos, a seara é grande e os obreiros são poucos. É hora de unir as nossas forças em torno de um grande projeto nacional. A hora é essa. A eleição de candidatos comprometidos com as mudanças pode ser o caminho para construirmos a grande nação sonhada por Tiradentes.

Autor: Ivam Galvão

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