Os versos do poeta de Minas causaram em mim uma explosão nagasakiana. Minha arrogância, minha insensatez, minha prepotência, tudo fora transformada em escombros. De minha soberba nada sobrou, sumiu no cogumelo da explosão.
De repente no meio aos escombros respirava viva a minha ousadia, que socorrida a tempo numa unidade de terapia intensiva fora salva pelas palavras do próprio poeta mineiro.
Minha consciência me chicoteia todas as noites de primavera, e mesmo assim eu a louvo. Tudo isso só porque um dia me intitulei poeta. Mas quando lí o poeta de Minas, minha pretensão foi pelos ares. Foi um duro golpe, me sente um nada.
É que naquela altura da vida, eu, bastante jovem, não sabia distinguir uma coceira de um furúnculo. Uma coceira, dependendo do lugar que coça pode ser algo gostoso de sentir, mas em certas ocasiões uma coceira pode nos levar ao desespero.
Meu finado sogro, quando ia à Bahia, gostava de ir pra roça, andava descalço pra pegar bicho-de-pé, só para sentir a coceira., que dizia ele ser gostosa de sentir.
Já o furúnculo, esse dói, incha, fica vermelho e forma ponto de pus, fica sempre latejando, incomoda e muito. Para curará-lo tem de espremer aí... haja dor.
Assim é com a poesia.Ela dói, incomoda, só sai quando se espreme. Quando não dói e não incomoda, pode ser qualquer coisa, mas não é poesia. Só fui descobrir isso muito tempo depois.
Acho que cada brasileiro deveria ler pelo menos uma vez na vida um verso de Drumond. Deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas do país, nas bibliotecas, nas ruas e praças.
E eu, continuo aqui, com minha pobre consciência que nas noites de primavera teima em repetir: "nunca mais diga que és um poeta, quando alguém lhe perguntar qual é o vosso ofício diga: sou um rascunhador de versos, e não poeta".
Bem depois de ler os versos de Drumont, achei melhor ouvir a voz da consciência.
Autor: Ivam Galvão
De repente no meio aos escombros respirava viva a minha ousadia, que socorrida a tempo numa unidade de terapia intensiva fora salva pelas palavras do próprio poeta mineiro.
Minha consciência me chicoteia todas as noites de primavera, e mesmo assim eu a louvo. Tudo isso só porque um dia me intitulei poeta. Mas quando lí o poeta de Minas, minha pretensão foi pelos ares. Foi um duro golpe, me sente um nada.
É que naquela altura da vida, eu, bastante jovem, não sabia distinguir uma coceira de um furúnculo. Uma coceira, dependendo do lugar que coça pode ser algo gostoso de sentir, mas em certas ocasiões uma coceira pode nos levar ao desespero.
Meu finado sogro, quando ia à Bahia, gostava de ir pra roça, andava descalço pra pegar bicho-de-pé, só para sentir a coceira., que dizia ele ser gostosa de sentir.
Já o furúnculo, esse dói, incha, fica vermelho e forma ponto de pus, fica sempre latejando, incomoda e muito. Para curará-lo tem de espremer aí... haja dor.
Assim é com a poesia.Ela dói, incomoda, só sai quando se espreme. Quando não dói e não incomoda, pode ser qualquer coisa, mas não é poesia. Só fui descobrir isso muito tempo depois.
Acho que cada brasileiro deveria ler pelo menos uma vez na vida um verso de Drumond. Deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas do país, nas bibliotecas, nas ruas e praças.
E eu, continuo aqui, com minha pobre consciência que nas noites de primavera teima em repetir: "nunca mais diga que és um poeta, quando alguém lhe perguntar qual é o vosso ofício diga: sou um rascunhador de versos, e não poeta".
Bem depois de ler os versos de Drumont, achei melhor ouvir a voz da consciência.
Autor: Ivam Galvão

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